Ana Cristina Melo
escritora

Blog da Ana

O que vocês sabem sobre Literatura Infantil e Juvenil?

Escrita Criativa e Literária

Hoje, 18 de abril, Dia Nacional do Livro Infantil, você, leitor ou escritor, já se fez esta pergunta?

O que é a Literatura Infantil e Juvenil (LIJ)? No que ela se diferencia da Ficção Adulta?

Em primeiro lugar, todos precisam entender que a literatura infantil e a literatura juvenil são tão importantes quanto a literatura adulta, e tão valorosas quanto. A diferença essencial está em focarmos em públicos com vivências diferentes.

Não podemos confundir os livros de saldão de shopping, com princesas para colorir, com livros literários. Os de lá são “brinquedos” em formato papel. Os de cá são arte!

A arte de um livro infantil começa na palavra e se complementa na ilustração. A palavra é trabalhada como se o escritor fosse um artesão, esculpindo, reunindo materiais que juntos revelarão algo especial. A ilustração dá forma, cor e vida a este texto, entremeando-se nos sentidos, desafiando o leitor a ler as duas histórias que ali são contadas.

Isso não é obtido num estalar de dedos. Tem técnica, tem cuidado, tem amor.

A literatura, assim como a brincadeira, são fundamentais para transformar a criança em cidadãos saudáveis, criativos e integrados.

Para isso, as crianças precisam ser desafiadas, os textos precisam estar a sua altura, literalmente. Lembro de uma palestra do Pedro Bandeira, na qual ele disse algo do tipo: Coloque-se na altura do seu leitor, para enxergar pelo ponto de vista dele. Considere a altura de uma criança, e imagine como ela enxerga o mundo desta perspectiva, como ela lida com os sentimentos.

Para que os livros cheguem nas mãos das crianças, eles passam pelos adultos que indicam, compram, leem. E esse adulto precisa reconhecer a qualidade de um livro infantil ou juvenil, entender as muitas entrelinhas que estão ali, e são reveladas de forma diferente para cada faixa etária. Sim, porque um mesmo livro tem múltiplas leituras. Lido aos 5 anos terá uma percepção completamente diferente se lido aos 8 anos, ou na pré-adolescência. O livro só termina de ser escrito na mente do leitor, quando ele preenche todas as lacunas com sua vivência.

Para mim, por exemplo, escrever ficção para crianças e adolescentes não é mais fácil do que escrever para adultos, talvez seja mais prazeroso. As minhas sombras irrompem no texto adulto. No infantil, juvenil ou jovem adulto, eu me alimento de luz.

Na LIJ podemos tudo, desde que seja construído para o público a que se destina. Quando escrevemos sobre temas difíceis, como a morte ou separação dos pais, precisamos de um cuidado diferente. Precisamos abstrair a dor numa narrativa que seja acolhedora para a criança, que a faça se aconchegar, para permitir lidar com sua experiência.

Não tem receita de bolo, mas tem decisões importantes que te colocam lá na frente nesta maratona. Sim, porque escrever para criança não é corrida de 100 metros rasos. Pode até ser meia maratona, mas é um processo longo, porque você precisa trabalhar muito bem cada palavra. A ideia ou o primeiro rascunho pode até vir num jorro criativo, mas o trabalho mesmo começa depois do ponto final. Afinal, escrever é 10% de inspiração e 90% de transpiração.

Então, depois de mais de 20 livros infantis publicados, alguns premiados, muitos aprovados para serem distribuídos em todas as escolas do país, elenco três dicas para os escritores, que servem, na verdade, para qualquer escritor, ou para qualquer adulto que vá presentear uma criança.

 

1 – Conheça seu leitor

As crianças são espertas e atentas, além de curiosas. É preciso conviver com uma criança para entender como ela pensa, o que ela gosta. Vale também dialogar com a criança que morou (e deveria continuar morando) dentro de nós.

Entenda o livro como uma extensão da brincadeira, onde reside o lugar seguro que a criança tem para reproduzir papéis de quem convive com ela, além de trabalhar seus sentimentos, mesmo os ruins, de forma segura.

 

2 – Valorize a criatividade e a imaginação

As narrativas, em geral, trazem personagens crianças, ou animais humanizados, o que permite que o leitor se identifique mais facilmente com a história. Não é proibido ter personagens adultos, mas eles não podem ser os heróis.

A criança evolui e trabalha suas questões dentro da fantasia. A ficção não só estimula a imaginação, como se torna um espelho para os medos e os questionamentos do pequeno leitor. Enquanto fantasia, a criança se diverte, mas também ressignifica sua rotina.

Livros que trabalham a sonoridade, encantam os leitores.

É incrível como hoje eu leio alguns poemas e eles me transportam para a minha infância, resgatando a memória da melodia, dos versos e de um tempo maravilhoso.

 

3 – Conheça os escritores de LIJ

Beba dos textos de Ziraldo, Monteiro Lobato, Pedro Bandeira, Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Tatiana Belinky, Eva Furnari, Sylvia Orthof, Lygia Bojunga, Bartolomeu Campos de Queirós, Angela Lago, Maria Clara Machado, Mário Quintana, José Paulo Paes, Marcos Rey, João Carlos Marinho, Orígenes Lessa, Marina Colasanti, Joel Rufino dos Santos, Vinicius de Moraes, Cecília Meireles, Maurício de Sousa, Maurice Sendak, Hans Christian Andersen, Irmãos Grimm, Charles Perrault, Fábulas de Esopo, La Fontaine, Lewis Carroll.

Passeie também na prosa e na poesia de outros autores contemporâneos, como: Ilan Brenman, Silvana Rando, Blandina Franco, Stella Maris Rezende, Ricardo Azevedo, Luiz Raul Machado, Marta Lagarta, Leo Cunha, Guto Lins, Daniel Munduruku, Roseana Murray, Tino Freitas, Adriana Falcão, Márcio Vassallo, Otávio Júnior, Stella Maris Resende, Socorro Acioli, Jonas Ribeiro, Júlio Emílio Braz, Mary França, Eliana Martins, Alina Perlman, Rosana Rios, Luciana Sandroni, Flávia Savary, Silvana Tavano, entre tantas dezenas de maravilhosos autores que estou cometendo aqui a falta de não relacionar, para não me estender além da conta.

Falando em além, podemos incluir também Ana Cristina Melo, por que não? rsrs


Para fechar o texto de hoje, deixo um pedacinho do meu livro “O menino, o bilhete e o vento”, 2ª edição, Editora Bambolê, com novas ilustrações de Sandra Ronca. Neste texto, transformo o vento em personagem, e subverto os personagens da história de Chapeuzinho Vermelho. Aqui temos a avó, que pede ao neto para levar um bilhete para um amigo especial que mora na cidade. O menino precisa decidir qual caminho tomar, e acaba escolhendo aquele que o “lobo”, ops!, o vento, se apossa do seu bilhete.

 

Imagem de página do livro O menino, o bilhete e o vento - 2ª edição

Imagem da página do livro O menino, o bilhete e o vento – 2ª edição

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