Aprendemos a ler, logo aprendemos a escrever. Alguns, com o tempo, desistem do ato da leitura e reviram os olhos só de pensar em pegar uma caneta. Sobram apenas os e-mails, os posts nas redes sociais, as mensagens via celular. Com isso, as palavras se transformam e perdem importância. Com o tempo, vão encurtando… um “você” vira “vc”, um “que” vira “q”, e a escrita volta aos primórdios hieróglifos. Por outro lado, para a esperança do mundo, há quem não resista a um caderno em branco, um diário ou à facilidade moderna de um blog.
Eu aprendi a amar os livros com oito anos de idade. Foi no início da adolescência que desejei ser escritora. Mas o sonho só tomou forma depois de mais de 20 anos enveredada em outra profissão.
Quando, em 2005, comecei a escrever ficção, estudei muito de forma autodidata, em paralelo a muitas oficinas literárias. Mesmo, desde o primeiro ano, sendo premiada em alguns concursos literários, tinha muita insegurança no que eu escrevia. Levou uns cinco anos até que eu assimilasse tudo que era preciso lapidar num texto literário.
Hoje, 30 livros publicados depois, a experiência de sete anos como coordenadora editorial da editora que fundei em 2015, vários prêmios conquistados e a didática de mais de 20 anos como professora, tenho domínio sobre a arte da escrita, total segurança em repassar meus conhecimentos para quem está começando, ou mesmo quem já escreve há algum tempo, e ainda tem dúvidas sobre o seu texto.
Escrever todos sabemos e todos podemos. Em qualquer lugar. Mas escrever pelo simples ato da escrita é muito diferente de nos tornarmos escritores. Por um lado, ser escritor nasce de uma fagulha, dessa necessidade que parece tão forte quanto o ar que precisamos respirar. Uma necessidade que pede a escrita em qualquer lugar, com frequência, como se fosse mais importante do que comer, respirar, viver. Isso. Escrever para viver, para desvendar a vida. Aí está o barro que molda um escritor. Por outro lado, ser escritor é como ser um escultor das palavras. É pegar a arte bruta e lapidar, para transformar numa obra única, bela e marcante. Essa é a grande diferença da escrita literária para a escrita do dia a dia.
É preciso se fazer essas perguntas: Por que escrever? Por que é tão importante escrever? Basta escrever? Basta colocar minhas ideias, meus pensamentos no papel? Ou há um desejo de algo a mais?
A partir dessas perguntas, é preciso avaliar sua escrita. Você acha que escreve bem? E o que é escrever bem? É expressar-se com clareza, coerência, correção gramatical e ortográfica, e um toque de originalidade.
Mas não basta escrever bem para ser um escritor de ficção, pois a escrita literária pede um esforço maior, um retrabalho constante, sempre lapidando, para oferecer o mesmo de forma diferente.
Se você não consegue resistir à vontade de escrever, se termina uma história já pensando na próxima que vai criar, se tudo que queria na vida era viver de literatura, se você quer transformar ideias em histórias que encantem e envolvam os leitores, que os faça pensar muito além do ponto final, chegou ao lugar certo: bem-vindo à escrita literária.
Esta é a apresentação do livro “Da escrita à edição”, que está em desenvolvimento. É um manual rápido e prático, que trará ferramentas para você pensar profundamente sobre seus textos. Falar de técnicas, de criatividade, de dicas, de um apanhado de tudo que você deveria saber antes de começar a escrever o próximo livro.
E como não é possível escrever sem a base da nossa língua mãe, este manual traz também dicas valorosas para que seu texto seja perfeito em todos os aspectos.
Quisera eu ter encontrado este manual lá no início… teria sido bem mais fácil.
Então, enquanto produzo este material, vou dividir alguns capítulos com vocês.