De onde veio a ideia desse livro?

O ano era 2018 e eu estava em choque com a polarização política. Não conseguia aceitar que pessoas, até dentro da mesma família, estivessem se odiando, algumas até se matando. Não podia aceitar que o país pudesse se dividir em 2 lados, e que nada mais existisse além disso.
Então, quis escrever para as crianças, mas também para os adultos. Quis trazer essa reflexão sobre diferenças que podem conviver em harmonia. Diferenças de ser e de pensar.
E eis que, de forma um pouco mais branda, passamos por isso de novo em 2022. E mais uma vez em 2026.
Só que a polarização assassina está dando lugar a outra coisa muito mais perigosa: a catarata do pensamento!
Oi???!!! Calma, eu explico.
Sabem o que é a doença catarata, não é? É uma condição que vai tornando opaco o cristalino do olho. Ela dificulta perceber a nitidez dos objetos e pessoas, dificulta ler, dirigir, realizar coisas básicas. Dizem que o envelhecimento é a causa mais comum. Mas traumas também podem desencadear o problema.
E é aí que a catarata virou a nova polarização. Tem menos gente xingando o outro, tem menos gente odiando o outro, mas tem mais pessoas com ideias engessadas que: ouvem, mas não escutam; veem, mas não enxergam. Tudo por causa de traumas do passado. Ou de traumas do presente mesmo.
Isso acontece na leitura, sabe? Você pega um texto clássico para ler, repete a mesma página dezenas de vezes, mas o conteúdo não entra. Tudo porque a professora do Ensino Médio te obrigou a ler o livro para fazer prova. Se for algo, então, que você não está a fim de ler, vixe!, aí é que não vai entrar mesmo. Tipo manual de 30 páginas? Ou contrato? Você parte logo para ligar ou assinar, e depois vê no que dá.
Esse é o problema… muitos não leem as letras miúdas. E aí, quando a conta chega…
As eleições são assim, cheias de letras miúdas. E letras grandes também. Aquelas que circulam nas redes sociais, nos anúncios dentro do Youtube, nas matérias de fontes duvidosas, em comentários, em artigos.
Qual é a tua, Ana?
É de esquerda? NÃO! É de direita? NÃO!
Minha biografia é clara sobre naturalidade, religião, profissão, paixões na vida. Tenho até time de futebol (tricolor), mas não gasto latim, tostão ou saliva por ele. Agora, principalmente, eu não tenho partido, não tenho político de estimação, não levanto bandeiras políticas. Se eu fosse obrigada a escolher algo num formulário eu escolheria “centro”. De preferência, com muito equilíbrio.
É isso!
Sou do equilíbrio de falas e ações.
Equilíbrio de valores morais e discursos.
Equilíbrio de direitos e deveres.
Equilíbrio de respeito e opinião.
E talvez por isso eu tenha, nos últimos anos, “ajuntado” um certo ranço de muitos discursos da esquerda. E da direita também. Se você não é pró-B, é pró-L. Se não é pró-L, é pró-B. Aff!
Alguém sabe quantas cores têm na escala de cores? Há muito mais entre o céu e a terra e entre o preto e o branco que alcança a nossa “vã egomania”. Ou seria a própria egolatria? Difícil saber, mas acho que está mais para egolatria.
Hein??!! Eu explico.
A egolatria é a característica da pessoa que coloca as próprias opiniões e vontades acima de tudo e de todos. E aqui mora o perigo. Porque nas mãos dessas pessoas, outrora polarizadas, hoje ególatras cheias de catarata que temos o desenho do nosso futuro e das nossas crianças.
Polarização ~ catarata ~ egolatria.
O ególatra também é extremamente sensível às críticas. Se for contrariado, nossa! O mundo cai. Experimenta discordar ou até mesmo ficar calado. Como educar as crianças, se os adultos são seres mimados que não podem ser contrariados? Aliás, dizem que as crianças são reflexo dos adultos que os educam. Isso diz muito sobre o que está acontecendo dentro de sala de aula, não é?
Sabe o que é ainda pior? Tem ególatra a rodo dos dois lados. E lá vai o buraco aumentar!
- Eu queria essa esquerda ególatra no poder? NÃO!
- Eu queria a última direita ególatra no poder? NÃO!
O que eu queria de verdade seriam pessoas com novos comportamentos, novas origens, com pensamentos sem catarata. Mas a egolatria é tão forte que a própria população não deixa espaço para mais ninguém entrar na brincadeira. Então, a gente acaba tendo três opções:
- Vou para o time A.
- Vou para o time B.
- Desisto de brincar.
Confesso que desisti de brincar (votar) muitas vezes. Anulei, sim. Atire a enésima pedra quem quiser, com os discursos de sempre:
“Mas anular é deixar que A continue no poder.”
“Mas anular é deixar que B volte para o poder.”
Não. Anular é dizer: nenhum deles me representa. Nenhum deles tem nada que me convença a apoiá-lo. É dizer: paciência se ganhar o lado A ou o lado B. Terei que conviver com isso. Mas não vou dar meu aval a qualquer um deles.
Só que agora, em 2026, estamos vivendo uma situação beeem diferente e mais urgente.
Não está em jogo o buraco que se formou na sociedade (assim como escrevi em meu livro), com a polarização da direita e da esquerda. Está em jogo um possível caos que venha de outros lados. Sabe aquela frase que a gente diz para a criança? Olha para todos os lados, quando for atravessar a rua. Ultimamente, é preciso olhar até para cima. Pode cair uma marquise, um drone, um carro voador ou o pedaço de um helicóptero… E para baixo, para garantir que não vai cair num bueiro ou num buraco.
Eu tenho os meus traumas também. Como disse acima, eu mesma acumulei muito ranço de alguns discursos. E só há alguns dias me dei conta do que, de fato, me incomodava no discurso da esquerda. Quer alguns exemplos para ver se você também se identifica com esses ranços?
- Se você não é a favor, você é contra
- Desmerecer quem tem religião
- Desmerecer quem quer empreender em vez de trabalhar por carteira assinada
- Usar sala de aula para falar de política
- Passar pano para erros e corrupções
- Colocar pauta identitária acima de outros direitos
- Colocar pauta identitária acima de demandas importantes e urgentes da sociedade, como economia, segurança, educação e saúde.
- Associar empresas e empresários a vilões; capitalismo a pecado.
Então, diante disso, muitas pessoas pegaram ranço, ódio, catarata de qualquer coisa que estivesse ligada à esquerda. Só que chegamos num ponto que o trauma precisa ser adormecido. E uma pergunta precisa ecoar: O que vão fazer com a nossa casa, a nossa pátria?
Para respondermos essa pergunta, a leitura é fundamental. Ler nos torna mais críticos, nos permite entender as entrelinhas, e nos orienta como se virar no meio de tanta informação: fake ou fato.
Então, somos capazes de perceber se algo que aparece para nós é uma informação válida ou não. Se vem de fonte confiável. Tem muita informação que circula na Internet, e você não precisa confiar, nem precisa denegar. Basta investigar. Coloque os óculos. Pegue uma lupa, mas não deixe a catarata ser desculpa para não buscar a verdade. Há muitas informações públicas e de livre acesso na internet.
- Se alguém disser que uma empresa forneceu para o Governo e o sócio dela é sócio de mais 10 empresas, você pode conseguir essas informações no site do Governo.
- Se alguém disser que uma empresa tem sede no endereço X, você pode ir no Google Maps dar uma olhada se aquele endereço parece de uma empresa.
- Se alguém disser que um político é contra o tema A ou B, basta ir lá no Congresso, no Senado, na Câmara e listar tudo no qual ele votou, tudo que ele propôs.
- Se alguém reproduzir uma frase que foi dita numa reunião em inglês, e você não souber o idioma, pode usar uma tradução automática.
Você já ouviu argumentos sobre: economia, terras raras, religião, corrupção, poder paralelo?
Será que você é capaz de buscar as informações sobre esses temas, de mente aberta?
Será que somos capazes de nos despir dos nossos egos, das nossas certezas, e buscar a verdade?
Será que somos capazes de assumir que podemos estar com a vista opaca, pois um trauma do passado nos faz odiar tudo que vem da esquerda?
Então, concluindo, eu gostaria muito de não votar em nenhum dos dois candidatos. Mas, diante do perigo iminente, serei obrigada a escolher um lado. Pense nisso você também!
Aqui deixo a dica de alguns vídeos do canal Revelando (https://www.youtube.com/@revelando_br) que são ótimos óculos para vistas embaçadas:
- República dos Laranjas
- Pátria Submissa
- A guerra à santa